Checklist (troncos)

A Central telefônica IP poderá continuar usando os troncos digitais da operadora tradicional (E1/R2) ou até mesmo analógicos, desde que observados os cuidados recomendados contra surtos de tensão. A Central telefônica empregará tais troncos da mesma forma que uma Central telefônica tradicional.

Por outro lado, é cada vez maior a tendência para o emprego de troncos IP. Desta forma, por meio de um link de dados (normalmente dedicado e de banda garantida), e usando os controles de fluxo e QoS adequados é possível emular os serviços de um tronco E1 sobre um link de dados puro, com numeração e sequenciamento observados em uma operadora telefônica tradicional.

O protocolo aqui empregado pela Central IP e pela Operadora IP será geralmente o SIP. Quando se usa uma Operadora IP convém observar que os serviços de DDR devem ser suportados por ela explicitamente sobre o padrão SIP. A Central IP irá apenas interpretar as mensagens de acordo com a convenção adotada pela Operadora IP.

Da mesma forma, o fornecedor do link de dados deverá garantir a banda, sem flutuações e sem jitter, possibilitando o uso de VoIP. O fornecedor do link de dados deve garantir que o link é apropriado para o uso do VoIP. Links do tipo banda larga, por exemplo, não possuem garantia. Em termos gerais, calcula-se uma banda média de 30Kbps para cada conversação simultânea. Para cada 30 canais (em ligação simultânea), a exemplo do E1, considere 1Mbps full como a banda garantida, sem flutuações e livre de jitter excessivo, como a banda adequada para suportar VoIP.

Em tese, caso a Operadora seja capaz de entregar um link de dados de banda dedicada e garantida, com disponibilidade de 99.99 %, é possível utilizar apenas o tronco IP, sem necessidade alguma de linhas convencionais. Por uma questão de contingenciamento, entretanto, é altamente recomendável, ou mesmo mandatório, que se reserve um número mínimo de linhas convencionais para garantir o funcionamento da rede de telefonia no caso da queda do link de dados, o que costuma ocorrer com uma frequência maior do que o recomendado, ou até mesmo contratado, principalmente no Brasil.

Lembre-se sempre que a qualidade da telefonia externa é diretamente proporcional à qualidade do link e que o provedor do link deve oferecer garantia da banda e que seja “jitter-free”, bem como percentual de disponibilidade definida em contrato.

Quanto à Operadora IP, a mesma deverá possuir licença STFC, homologação da Anatel e ser uma das líderes de mercado. Operadoras de pequeno porte e não registradas tenderão a oferecer serviços intermitentes.

Sobre o QoS, é mandatório que seja implementado o controle de banda no roteador de saída, pois o tráfego de voz deve receber prioridade sobre os demais e não deverá competir por banda com outras aplicações, sob risco de comprometimento no tráfego de saída.

Em síntese, para garantir uma boa qualidade de voz sobre IP na saída, recomenda-se fortemente os seguintes procedimentos:
- Link de dados dedicado, de alta disponibilidade e com banda garantida de 30Kbps por conversação VoIP simultânea, com jitter mínimo e a mínima flutuação, definidos em contrato. O fornecedor do link deve garantir que o mesmo é apropriado para uso com VoIP.
- Contratação de operadora VoIP líder de mercado, com portfólio de serviços compatível com o desejado, com licença da Anatel.
- Implementar controle de fluxo e de banda no roteador de saída.
- Uso de Central telefônica do tipo Appliance, com elevado MTBF, gerenciamento do tipo IT Network, interface GUI, apropriada para a gerência de TI centralizada.
- No caso de centrais híbridas atentar para a arquitetura que garanta o maior MTBF, a maior disponibilidade de recursos, evitando-se, sempre que possível, o hardware genérico do tipo PC, como controlador da sua telefonia.
- Usar preferencialmente sistemas operacionais de rede em appliance capazes de suportar um elevado número de usuários e que evitem a necessidade de incorrer em custos de customização, manutenção e acompanhamento permanentes,  intensivos e desnecessários.