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O que é um Gateway de voz ?
Existem várias definições para a palavra Gateway, que não possui tradução em português, e designa uma classe de dispositivos que é capaz de fazer, literalmente falando, o encaminhamento de fluxos de informações de uma rede para outra, independente do seu protocolo. Alguns “Gateways” agem como conversores de protocolos, permitindo que determinados tipos de informação codificados de uma certa maneira, e em um determinado tipo de rede, possam ser convertidos em outro tipo de protocolo, e encaminhada em outro tipo de rede.
Este tipo de definição distinguiria o Gateway de um roteador, que age sobre redes diferentes, porém sob o mesmo protocolo. O Gateway, portanto, realiza um determinada forma de tradução entre redes díspares e encaminha fluxos de informações distintos entre redes que possuem protocolos de comunicação também distintos.
Especificamente no caso do Gateway de voz, este tipo de equipamento é capaz de interpretar um fluxo de informação que é constituído pelo tráfego de voz, como o analógico, por exemplo, e converter um determinado tipo de sinalização em pacotes de dados aderentes ao protocolo IP, para que então, aí sim, possam ser roteados por roteadores. Por outro lado, ao chegar ao seu destino, estes pacotes podem ser reconvertidos no sinal original, via um Gateway equivalente.
É comum que alguns equipamentos de VoIP sejam incorporados em um Roteador ou mesmo dentro de um PBX. Em todo o caso, o que teremos em um ou outro caso, é sempre um Gateway incorporado em outro equipamento, e ainda que possa haver uma “impressão” de integração, o que existe apenas é o empacotamento 2 em 1 ou 3 em 1, mas sempre haverá o componente Gateway de Voz inserido em algum lugar.
Por outro lado, temos os equipamentos de VoIP puros, ou seja, equipamentos que perfazem a solução de telefonia fazendo uso apenas do tráfego IP, e com a função de telefonia, normalmente um processador IP, integrada, sem uso de telefonia analógica ou digital. Neste caso, os aparelhos telefônicos são todos IP, havendo apenas uma conversão do IP em voz humana no próprio aparelho. Neste caso, não temos Gateways, visto que todos os aparelhos telefônicos são inteligentes e embutem dispositivo IP.
No Brasil, atualmente, a forma mais comum de implementação da telefonia IP tem sido realizada através de Gateways, de uma forma ou de outra, visto que o custo, a confiabilidade, bem como a questão do sistema legado tem representado uma barreira de entrada para os sistemas baseados puramente na telefonia IP, ou seja, tem sido adotada preferencialmente a convivência do VoIP com os PBXs tradicionais, muitos dos quais baseados em telefonia analógica. Outro fator que representa a barreira de entrada é a resistência evidente que teremos em fazer a transição de um central de telefonia que se encontra em funcionamento há anos, com centenas ou milhares de usuários, para uma nova tecnologia. Os Gateways têm possibilitado a adoção de características híbridas na telefonia, ou seja, permitem tanto o uso de telefonia analógica como telefonia IP.
Em termos gerais, a telefonia analógica é composta por aparelhos de baixo custo, de uso amplamente difundido no Brasil, que se conectam ao Gateway por meio de uma linha do tipo FXS. Em alguns casos, determinados Gateways possuem a função de telefonia IP, casos estes em que podemos ter um PBX IP com telefonia analógica e IP integrado com o Gateway em um único equipamento.
O aparelho de telefone IP nada mais é do que o telefone baseado em software. Pode ser desde um aparelho à parte, com inteligência variada, com um tipo de handheld acoplado com múltiplas funções, ao aparelho cego, que possui apenas a capacidade de interpretar o pacote IP e transformá-lo em conversação de voz. De qualquer forma, tais aparelhos de telefonia IP são, em última instância, dispositivos de rede, interligados à rede local, peferencialmente alimentados pelo cabo de rede (PoE – Power Over Ethernet). Podem ser também aparelhos Wi-Fi internos ao escritório. De qualquer forma, são dispositivos de rede local que falam IP e produzem como resultado a conversação. O mesmo vale para o notebook ou estação de rede com softphone. O notebook com softphone registrado na rede é um aparelho de telefonia IP.
Desta forma, nos casos em que se deseja usar telefones IP, sob variadas formas e tamanhos, teremos um PBX IP, que incorporará as funções do roteador, do Gateway e do PBX IP. Este equipamento geralmente irá funcionar sozinho. Em alguns casos haverá o desejo de se conectar um Gateway ao PBX para ampliar o número de portas FXS/FXO, ou mesmo uma porta E1/R2, preferencialmente. Sempre lembrando, um PBX IP é um software. Enfim, é o uso destes dispositivos de telefonia IP que determinará a substituição dos equipamentos de telefonia tradicionais pelos PBX’s IP.
Se a quantidade de linhas não for grande, poderá ser usado o Gateway FXS, com múltiplas portas e usar algumas linhas de tronco não utilizadas no PBX para fazer a conexão ao mundo VoIP. Algumas operadoras tendem a oferecer um serviço conhecido como IP Centrex. Este é um conceito interessante e que deverá concorrer com o conceito de rede de telefonia interna. Neste caso, a Operadora possui um “PBX” remoto, totalmente baseado em software, IP, (protocolos MGCP, SIP ou H.323), e oferecendo em seu lugar um Gateway de borda. Em outras palavras, a Operadora oferece, por exemplo, “swtiches” de voz, com padrão 1U e 24 portas cada, empilháveis, conectados a uma central inteligente, plenamente IP, por meio de uma linha de dados. Todo o tratamento da telefonia é realizado no IP Centrex. Este tipo de serviço vem sendo oferecido por algumas operadoras em contraposição ao modelo híbrido, que usa gateways e PBXs híbridos e ao modelo baseado em PBX IP puro dentro das instalações do cliente.
Estes modelos hoje concorrem entre si e há muita discrepância de análise quanto às perspectivas de mercado de cada um deles. O fato é que a melhor solução dependerá sempre da melhor relação custo/benefício, da topologia e contexto de cada cliente. Estas soluções concorrerão por muito tempo ainda entre si. A melhor análise de solução, portanto, deve ser baseada nos seguintes fatores:
- Retorno (Payback)
- Confiabilidade
- Contingenciamento
- Continuidade
- Qualidade
O atendimento destes cinco pontos é fundamental para o sucesso de um projeto. Uma perda em qualquer dos cinco quesitos aqui citados poderá comprometer seriamente o projeto. Descreveremos a seguir os cinco quesitos e os pontos de avaliação a eles referenciados.
- Payback – o sentido de todo e qualquer projeto deve ser o retorno financeiro. Este retorno muitas vezes é complexo de medir, mas no caso da telefonia IP é rapidamente mensurável baseado nos seguintes custos:
- Ganho com “Toll Bypass”: estamos falando aqui do ganho com redução de custos de telefonia global. Uma análise detalhada das contas de telefonia e a tarifação oferecida pela operadora tradicional pode ser confrontada com um demonstrativo das tarifas oferecidas pela Operadora de Telefonia IP.
- Ganho com mobilidade e desempenho: aqui devemos saber medir o ganho com o aumento da flexibilidade de equipe comercial potencialmente realizável com a utilização de telefonia IP e seus recursos de office-phone. Mais difícil de mensurar, é preciso detalhar os usos e necessidades e o impacto no desempenho da equipe.
- Devolução de linhas fixas. Com o custo extremamente elevado da assinatura telefônica básica, principalmente para as empresas, é extremamente tentador pensar na possibilidade de devolver ao menos parte do pacote de linhas, em favor das linhas “virtuais” oferecidas pela Operadora de Telefonia IP.
- Confiabilidade – uma característica clara e verdadeira do velho e bom sistema de telefonia é que sua confiabilidade é extremamente elevada, impossível de suplantar. O número de minutos parados de um sistema de telefonia é bastante reduzido ao longo de um ano. Isto não é verificado em uma rede local, por exemplo, que pode ser atingida por vírus e outras ameaças. É preciso medir a sensibilidade da solução e o tempo potencial de horas paradas que a mesma poderá acarretar, bem como o impacto em falhas de telefonia para a operação da empresa. A adoção de um sistema de telefonia IP, no momento atual, acarretará, necessariamente, em perda de confiabilidade. Por outro lado, a pressão por redução de custos pesa do outro lado da balança.
- Contingenciamento – sabidamente os sistemas baseados em IP são menos confiáveis do que as redes de telefonia tradicionais. Tendo em vista tal característica, que é inerente ao sistema de Voz sobre IP, é preciso projetar a rede para que ela possa retornar ao seu estado normal de operação no menor tempo possível, sem necessidade de peças de reposição que podem demorar a chegar e possibilitando o estabelecimento de um procedimento alternativo de operação em caso de falhas, para que a telefonia nunca sofra interrupções ou, se sofrer, que tais interrupções sejam as mais breves possíveis. O contrato de manutenção deve prever um contingenciamento.
- Continuidade – em concomitância com o contingenciamento, é preciso avaliar se a solução proposta permite a continuidade das operações sensíveis de telefonia e permitem a recuperação a partir de um incidente conforme o tempo previsto.
- Qualidade – sabemos que a qualidade da voz em telefonia não confere com a alta fidelidade, porém nos acostumamos com certo padrão de qualidade de voz, exatamente aquele livre de ruídos, inteligível e confortável oferecido pela telefonia tradicional. Um sistema de telefonia que produza atrasos na voz, flutuações, distorções, ecos e outros efeitos corrosivos na inteligibilidade da conversação poderão tornar o sistema intolerável para o uso interno e, sobretudo, para com o mundo externo, com os seus clientes. A despeito de se ter obtido sucesso com os quatro primeiros quesitos, se a qualidade da voz não for disponibilizada o tempo todo e houver um nível de degradação da qualidade acima do determinado, o sistema poderá causar sérios prejuízos de imagem e relacionamento interno e externo, anulando por completo todo o ganho obtido no payback financeiro. Em última instância, será boicotado e desativado pelos próprios usuários.
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