Rua Geraldo Flausino Gomes 78, Cj.91
Brooklin - São Paulo - SP - CEP 04575-060
IP10 - SP: (11) 5505-2171
IP10 - BA: (71) 3494-6279
Artigos sobre VoIP

A Mudança

O preâmbulo que descrevemos brevemente no capítulo anterior refaz brevemente o percurso da telefonia ao longo do último século, período durante o qual a telefonia experimentou uma lenta e consistente evolução, rumo àquilo que poderíamos denominar o estado da arte em tecnologia, visto que a confiabilidade dos sistemas de telefonia, desde que devidamente mantidos, alcançou o tão almejado fator dos cinco noves “99.999%” de confiabilidade.

De fato, em princípio, poucos motivos haveria para se realizar qualquer substituição em um moderno sistema de telefonia que não fosse por motivos relacionados à expansão ou ampliação dos recursos, geralmente quando se requer um “Contact Center’ ou “Call Center”. Desta forma, tem permanecido pouco claro para muitos ainda o motivo pelo qual deveríamos substituir um moderno sistema de telefonia por outro “mais moderno ainda” e baseado em VoIP. Tais decisões podem ser afetadas por complicadores adicionais, como a oferta de serviços diversos por parte das operadoras, que compreendem planos de subscrição altamente vantajosos, alguns subtendendo uma subestrutura de voz que permite oferecer as mesmas vantagens de uma implementação VoIP, ou seja, tarifas muito agressivas. Serviços agregados e de IP Centrex também podem aparentemente obscurecer as razões para se usar VoIP. Ainda assim, o VoIP tem apresentado uma evolução inexorável e contínua em todos os mercados, contanto ainda que possa competir com variadas implementações oferecidas pelas operadores, enquanto for possível oferecer uma vantagem financeira, postergando a sua adoção.

Em outras palavras, Operadoras tem sido de fato capazes de oferecer planos e “outsourcings” de telefonia que fazem uso da estrutura atualmente existente, motivo pelo qual a telefonia IP tem encontrado algumas barreira de entrada. Porém, tem sido observado também que as operadoras oferecem tais vantagens apenas para os seus Mega- Clientes, ou clientes “premium”. É fato, contudo, que estas ofertas por parte das operadoras não pode contemplar a totalidade do mercado. Neste contexto, é importante entender como se deu a evolução da tecnologia de voz digital e como esta progressão em direção à adoção do VoIP vem ocorrendo.

A voz digital nada mais é do que a representação dos sinais de voz analógica que usa a codificação binária de “0”s e “1”s. Esta codificação é conhecida como Pulse Code Modulation (PCM) G.711.  Basicamente, quando uma pessoa fala, é criada uma pressão no ar. O aparelho de telefone captura estas alterações de pressão e transforma-as em sinais elétricos que são análogos ao sinal acústico emitido do falante. Este sinal analógico é transformado em uma seqüência de bits de dados que representam o sinal de voz.

O sinal de voz é amostrado a uma taxa de 8000 vezes por segundo. Esta taxa deriva de uma teoria desenvolvida por Harry Nyquist, que estabelece que a taxa de amostragem deva ser ao menos duas vezes a máxima taxa do sinal amostrado, ou seja (2 x 3.4KHz). Por uma questão de otimização apenas as freqüências mais usadas na conversação humana são transmitidas em uma conversação telefônica. Este é o motivo pelo qual não é possível ouvir determinadas freqüências, em favor da conversação telefônica pura e simples.

No Brasil é mais comum o uso da interface E1, de 2,048 Mbps, nos PBXs. É bastante comum a interligação com ISDN PRI, porém, para as aplicações que mais demandam o VoIP tem sido mais comum a utilização da interface E1, eleita preferencialmente como interface padrão para conexão entre PBX’s ou entre Gateways VoIP e PBXs. Por este motivo, este tipo de interface será preferencialmente tratada neste Guia. As seguintes recomendações são referenciadas:

  • G.703: define a interface física elétrica
  • G.704: define as estruturas de enquadramento utilizadas
  • G.711: PCM; define a modulação da voz em si

No caso do G.703 podem ser usados dois tipos de interface, sendo o primeiro o cabo coaxial de 75-Ohms ou o cabo par trançado de 120 Ohms. Novamente, é mais comum atualmente que os equipamentos de VoIP utilizem o cabo par trançado, e por este motivo assumiremos a conexão par trançado como a preferencial, interligados ao PBX com um baloon, quando o conector do PBX for coaxial.

Por outro lado, a forma de sinalização mais encontrada no uso do E1, na ligação entre o gateway (VoIP) e o PBX, tem sido o CAS (Channel Associated Signaling)  ou CCS. No caso do Brasil, empregamos em geral o padrão E1/R2. É comum também a interligação através do ISDN PRI, sempre entre gateways e o PBX. Estes esquemas ficarão mais claros adiante, quando descrevermos a função do Gateway VoIP e sua relação com a rede pública e os PBXs.

 

 
IP10© Tecnologia da Informação - Todos os direitos reservados 2006 - by D-INC