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Artigos sobre VoIP

QoS e VoIP, a grande confusão - PARTE I

O aumento progressivo nas instalações de equipamentos de VoIP a fim de implementar a telefonia IP tem levado a um grande aumento na confusão que se faz, principalmente pelo abuso no uso dos jargões, entre aquilo que chamamos de QoS, gerenciamento de banda, VoIP, VoIP com QoS, Diffserv, marcação de pacotes, enfim, tudo aquilo que determina a priori a qualidade de telefonia IP seja para uso corporativo ou doméstico.

De fato, existe uma miríade de produtos de VoIP no mercado, de A a Z, voltados para todos os segmentos de mercado, do residencial ao corporativo. Os preços também variam de A a Z, juntamente com a qualidade. Então, que tipo de dispositivo devemos usar em nossas instalações a fim de obter o melhor resultado? Quais seriam os parâmetros mais importantes a fim de avaliar a melhor configuração para um projeto bem sucedido?

Bem, existe uma tendência da parte dos vendedores de equipamentos, de ressaltar determinadas qualidades isoladas de um equipamento, como se uma determinada funcionalidade fosse a “ultimate solution” para um cliente, sem atentar para o contexto mais ou menos complexo que envolve o ambiente de rede, e que será objeto do projeto.  

Uma advertência cabe nesta etapa, ou seja, para se obter sucesso no projeto de VoIP, ou telefonia IP, é necessário conhecer a rede do

cliente, evitando a armadilha do “plug-and-play” apregoado por muitos, geralmente uma bela receita para o fracasso.

Quando falamos de “Projetos de VoIP” hoje, portanto, podemos estar falando de um cliente doméstico, que vai ter um ou dois telefones fazendo uso dos serviços de um provedor de telefonia IP,  ou de uma operadora de telefonia IP baseada em SIP, que pode até requerer somente um softphone -  um “VoIP” por software no computador, ou um serviço altamente popular, como o Skype.

De outra forma, pode compreender também uma rede de maior complexidade, com “n” elementos de rede, como switches, roteadores, vários links de comunicação, uma central telefônica mais ou menos complexa, entre outros elementos que podem agregar mais complexidade ainda.

Uma coisa é certa neste mundo da telefonia IP. Jamais poderemos dizer, que essa ou aquela solução é a melhor para todos e variados tipos de clientes. A solução que pode ser perfeitamente boa para o usuário doméstico jamais terá uma performance, qualidade e confiabilidade para ser integrada a um sistema de rede de telefonia mais complexo.

Evidentemente, uma solução de cento e poucos reais poderá ser mais do que suficiente para o usuário doméstico, que comporta apenas uma ligação por vez, em uma rede ADSL. Por outro lado, tal solução poderá ser desastrosa se conectada ao PBX mais sofisticado de um cliente, podendo levar a resultados catastróficos, como, por exemplo, prender as linhas daquele PBX ou até mesmo danificar o sistema.

O mesmo se dá com o QoS. Ao contrário do que vem sendo apregoado e alardeado ultimamente, a qualidade de voz não é determinada apenas pelo QoS, jargão que vem sendo muito mal empregado atualmente. Se assim o fosse, as soluções seriam extremamente simples de serem implantadas.

É verdade que um equipamento de VoIP do tipo faz tudo, com QoS, roteador e ...  até VoIP, pode funcionar em uma rede doméstica, com dois computadores e duas pessoas falando ao telefone, usando a telefonia IP. É verdade também, que determinados equipamentos do tipo ‘faz-tudo-baratinho’, inclusive QoS, podem realizar este gerenciamento de banda, separando o tráfego de voz do tráfego de dados, numa rede de reduzidas dimensões, é verdade. Podem funcionar com um sub-conjunto do QoS, ainda que tosco, provendo uma qualidade razoável de telefonia.

Entretanto, mesmo em redes mais simples, que fazem uso do ADSL, existem outros fatores, até mais determinantes, que definem a qualidade de voz. Para não falar em eficiência de código, que difere de equipamento para equipamento, do tratamento da voz, do processamento interno, das RFCs implementadas e dos Codecs, porém, temos que analisar a qualidade do link em si.

Muitas empresas e pessoas, por exemplo, procuram usar o link ADSL para fazer uso do tráfego de voz e dados, e é aqui que reside um grave problema.

Quando falamos de link ADSL de “1Mbps”,  chega a ser risível falar de QoS no equipamento de VoIP como “solução” para garantir qualidade de voz. Ora, qualquer análise um pouco mais detalhada irá revelar alguns parâmetros importantes. O primeiro deles é que quando falamos de voz, estamos falando no sentido bidirecional do tráfego, de subida e descida, ou seja, de Upload e Download.

O tráfego de voz, devidamente comprimido, e de acordo com o esquema de compressão mais comumente usado, consome cerca de 30Kbps, nos dois sentidos. Ora, muitas dos serviços que nos são oferecidos nos garantem apenas 128Kbps, quando muito, 256Kbps no sentido de Upload e, mesmo assim, efetivamente, somente nos garantem, em contrato, 10% disto.

Quando não é isto, temos que nos preocupar com colisões... Alguns softwares simples podem realizar esta medição e mostrar muita coisa interessante acerca do seu link ADSL e da verdadeira disponibilidade do mesmo.

Evidentemente, o link ADSL não é o melhor dos meios para se tratar empregando o VoIP, embora seja possível utilizá-lo, e muito tentador mesmo usá-lo, tendo consciência de suas limitações. De forma geral, será muito difícil obter mais do que 4 ligações simultâneas em um link ADSL, mesmo que ele seja exclusivo.

Não há nada que o QoS possa fazer aqui, pois estamos falando de um link cuja capacidade nominal flutua. Basta realizar aferições freqüentes para constatar isto.

Lembrem-se, estas flutuações estão definidas em contrato, e você não poderá reclamar disto.

Sergio Sampaio Spinola é atualmente Diretor Comercial da IP10 Tecnologia, foi diretor da SAGA por 20 anos e hoje atua nos segmentos de Telefonia IP, gerenciamento de banda e segurança da informação.


 
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