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Artigos sobre VoIP

OPERADORAS E OPERADORAS

O mercado de Telefonia IP definitivamente esquentou e a onda de migração é geral. O VoIP caiu no gosto do povo e podemos encontrar de fato serviços de telefonia IP de alto desempenho. Todos parecem convencidos de que a telefonia IP, ou VoIP, de fato funciona, e é capaz de oferecer qualidade de conversação e substanciais reduções de preços. Definitivamente, o DDD e o DDI está fadado a morrer rapidamente, neste presente ano de 2007, em que estamos assistindo aos derradeiros momentos dos antigos modelos de telefonia.

Exageros à parte, o fato é que temos nos deparado com excessos e exageros neste mercado. Se é verdade que é possível obter um ótimo desempenho, alta qualidade e substancial redução de custos com a adoção da telefonia IP, também é verdade que a equação que reflita um compromisso devidamente equilibrado entre qualidade, preço, confiabilidade, persistência e formalidade não é de aplicação trivial, ou seja, não é “plug-and-play”, requerendo que se saiba exatamente aquilo que se está fazendo, principalmente compreendendo as limitações que envolvem as características do tráfego de voz.

O mercado tem sido inundado com inúmeras promessas e um número sem-fim de operadoras VoIP, oferecendo desde a ligação grátis para qualquer lugar, ao custo absolutamente inviável de 2, 3 ou 4 centavos por ligação, aos modelos mais realistas, baseados em tarifas que propiciam boa redução de custos, mas longe da redução total. Entre 50-70% de redução de custos esperados pela maioria e os 90-95%  apregoados por alguns há uma distância considerável. Para quem acredita em milagres, é uma meta a perseguir, o graal do custo-zero, porém uma análise um pouco mais  cuidadosa do que está sendo proposto revelará quase sempre um sem número de armadilhas, o que é característico de mercados em ascensão.

De repente, tornar-se uma “Operadora VoIP” virou a salvação da lavoura, o novo Eldorado. No final do arco-íris há sempre um pote de ouro... A característica do mercado de VoIP, que permite transacionar tráfegos e minutos, como em uma bolsa, permite que, de uma hora para outra, qualquer um possa se tornar uma Operadora VoIP. A grande flexibilidade e compatibilidade oferecida pelo protocolo SIP permite a qualquer um montar um Servidor, bastando alguns troncos de saída e, voilá, temos um “Operador VoIP”.

Então, estamos sendo confrontados com modelos hierárquicos de negócios onde é possível “franquear” operadores, vender direitos, cargos de diretoria entre outros acepipes, como se fossem títulos de nobreza. De uma hora para outra foi delegado aos simples mortais, por um módica quantia, às vezes R$ 200, R$ 500 ou, com um pouco mais, o direito de se tornarem Barões da Telefonia IP, Condes do VoIP. Evidentemente,  falamos aqui de pirâmides. De repente, o gerente de TI de uma empresa pode “vender” telefonia IP para a sua própria empresa, aumentando um pouco mais seus estipêndios à custa de uma participação na minutagem consumida pela sua própria empresa. Todos agora podem ficar ricos.

Quem já assistiu a alguns destes espetáculos de recrutamento de POP’s, venda de franquias, baronatos e outros títulos nobiliárquicos, haverá de recordar as pregações na voz de um pastor, dos Bispos do VoIP, a Igreja Universal do VoIP. A questão toda é que a equação envolvendo qualidade, persistência, formalidade e preço não é tão fácil de ser resolvida. De fato, temos observado que muitos destes modelos de operação consistem simplesmente na venda de cartas de franqueamento, que é a verdadeira receita destas “operadoras”. No momento certo, fecham. É simples assim. Trata-se, evidentemente, de um golpe. O Velho Golpe da Pirâmide, pois que o ser humano é mesmo crédulo.

Evidentemente, o mercado irá naturalmente separar o joio do trigo, mas é importante para muitas empresas evitarem o desgaste, a frustração e o descrédito que podem advir de uma implantação de telefonia IP desastroso. Em primeiro lugar, todo projeto de VoIP necessita de, isto mesmo,  ... um projeto ! Isto se deve ao fato de a voz, ao ser convertida em dados, tornar-se indistinta, e refém, do restante do fluxo de dados. Enquanto a rede WAN da empresa estiver bem-comportada, tudo bem, mas no momento em que ocorrerem anomalias ou stress neste mesmo tráfego de dados, acabou-se a voz e a telefonia, que é a parte mais visível da empresa, torna-se risível.

O tráfego de voz não admite um constrangimento por parte do restante do fluxo de dados, porque, ao contrário de outras aplicações, tem que ocorrer em tempo real. Por outro lado, a Internet é um ambiente extremamente hostil e o pacote de dados que carrega a informação de voz pode ser obrigado a atravessar uma dezena ou mais de roteadores até chegar ao seu destino final. Se isto ocorrer, teremos degradação na telefonia. Para mitigar este problema as Operadoras VoIP mais estruturadas estabeleceram roteadores nos principais pontos de troca dentro das Operadoras de tráfego Internet, como a Telemar, Embratel e Telefônica. Isto exige pesados investimentos, mas é a única forma de garantir que o número de hops será minimizado. Quanto menor o número de hops (número de roteadores pelos quais a voz como VoIP terá que passar), tanto melhor a qualidade da ligação.

Acreditar em operadoras que se fiam em “jogar” o tráfego de voz na Internet, deixando que os dados se resolvam sozinhos, sem estabelecer POPs (pontos de presença) reais, com estruturas de gateways e roteadores, o que exige investimento massivo, é acreditar mesmo na sorte. O protocolo SIP dentro da Internet comporta-se maravilhosamente bem, entretanto, não é possível simplesmente “jogar” o pacote UDP de voz na Grande Rede e esperar que ele se saia bem sozinho. É preciso definir rotas que levem este tráfego o mais rápido possível ao seu destino. Sem isto, o resultado poderá ser frustrante.

Portanto, ao escolher sua operadora de VoIP, recomenda-se fortemente o “test-drive” da solução – o que certamente irá afastar os amadores, e o conhecimento da Operadora, da sua estrutura física e tecnológica, do background técnico dos implementadores, do portfólio de clientes, referências em reportagens, certificações junto à Anatel (um requisito básico), da forma de cobrança, se ela paga os impostos definidos para a área de telecomunicações e se a despesa realizada com a Operadora pode ser contabilizada. Algumas operadoras oferecem apenas a cobrança em cartão de crédito internacional, o que revela, para dizer o mínimo, uma falta de compromisso com a manutenção de uma estrutura local e, portanto, inadequada ao ambiente corporativo.

Existe, é claro, o cliente certo para tudo. Muitos clientes ficarão extremamente satisfeitos com o Skype, que é um excelente serviço, ou até mesmo com serviços baseados em cartão pré-pago e call-back. Tais serviços podem ser úteis para o usuário doméstico ou avulso, mas jamais poderão representar uma solução profissional para uma empresa de porte médio ou grande, e muito menos serem integradas à telefonia legada de uma corporação. São estas questões que devem ser analisadas na hora da escolha da Operadora, das quais algumas vieram realmente para ficar, ao passo que outras não passam de poeira que virão e passarão, sem que ninguém se lembre delas no futuro próximo. Na hora de definir um sistema de telefonia IP, portanto, é importante estabelecer um serviço confiável e de qualidade, caso contrário, os próprios funcionários da empresa serão os primeiros a boicotá-lo. Afinal os negócios não podem parar, e ninguém vai admitir prejudicar a imagem da empresa por causa de um sistema de telefonia que não funciona. Em pleno século XXI, é andar muito para trás. Existem Operadoras com “O” maiúsculo e operadoras com “o” minúsculo. Cada qual tem a sua aplicação e horizonte de mercado, cabe assumir a responsabilidade pela escolha.


 
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