|
A Voz e o QoS
Na mesma medida em que a popularidade do emprego do VoIP vem atingindo níveis recordes, cresce a frustração de muitos com os resultados obtidos com implementações, para dizer o mínimo, descuidadas. Embora a adoção do VoIP venha sendo apresentada como uma panacéia e “plug-and-play”, a verdade é que o diabo mora nos detalhes, e são os pequenos diabinhos que podem destruir um projeto que negligencie a questão do QoS.
O fato é que o controle de QoS na saída do tráfego de WAN é crucial para definir uma boa qualidade de voz. O tráfego de voz tem que ser priorizado na saída WAN, pois é necessário evitar concorrência com tráfegos de dados que tendem a ocupar a banda de comunicação, estreitando o canal de voz e causando variações no fluxo de pacotes de dados VoIP – a voz, literalmente, que são intoleráveis para a comunicação de voz.
Uma questão que tem sido colocada é a possibilidade de tal controle ser feito pelo dispositivo de Voz, VoIP, ou mesmo pelo roteador. Tal implementação tem sido realizada em equipamentos que integram Voz, dados, roteamento integrados à funcionalidade PBX IP. Faz sentido, nestes casos, concentrar toda a funcionalidade do equipamento em um PBX IP. Entretanto, as implementações tradicionais, em sua maioria, são compostas pelo roteador, switch, gateway de VoIP e a rede.
Para redes de grande porte não é trivial alterar a topologia e gerenciar as Vlans, ao passo que, para redes de médio e maior porte enfrentamos alguns outros problemas, como os identificados abaixo:
- Colocar o equipamento de Voz para fazer o QoS implica em colocá-lo entre a LAN e WAN, ou seja, todo o tráfego deve passar por ele. A implicação aqui é que isto muitas vezes implica na mudança de topologia, tornando a instalação mais complexa, assim como o tratamento das Vlans. Por outro lado, trata-se de um ponto único de falha a mais na rede, e a arquitetura tem que ser mais robusta.
- Alguns clientes possuem Firewall gerenciado e tendem a determinar um endereço fixo para o equipamento de voz. Nestes casos, na maioria dos casos, não é possível colocar o equipamento de voz entre a LAN e a WAN para fazer o QoS, e o controle de QoS terá necessariamente que ser feito por um terceiro equipamento.
- Alguns clientes possuem serviço de gerenciamento da segurança externo (outsourcing). Aqui nos deparamos com a questão da topologia da rede, que precisa ser alterada, caso se instale um appliance de QoS combinado com VoIP e necessariamente precisaremos escalar ao provedor de segurança.
- Alguns clientes de maior porte possuem seu roteador gerenciado externamente, então não é possível trocar o roteador pelo roteador/gateway de voz. Nestes casos, é preciso abrir um caso junto ao provedor de serviços a fim de solicitar a aplicação da regra de QoS no roteador, sempre lembrando que atualmente quase todos os roteadores de maior porte são capazes de implementar QoS.
Desta forma, para redes de maior porte, faz mais sentido alterar a regra de QoS do roteador, isto quando o cliente não dispõe de um dispositivo de Gerenciamento de Banda.
Nas redes menor porte não existe tanta preocupação quanto à mudança de topologia e é possível colocar um dispositivo entre a LAN e WAN. Um problema que novamente enfrentamos aqui é que o Gerente do Serviço de WAN reluta, não quer ou não sabe aplicar regras de QoS no roteador.
Por outro lado, podemos dizer que Gateways de 2 a 4 portas são exatamente aqueles que se encaixam na categoria reservada a pequenas e médias empresas, e que geralmente não possuem uma estrutura de rede em outsourcing. Então toda a questão se resume a simplificar, através da integração da funcionalidade em equipamento único, a implementação de VoIP em clientes de pequeno porte, como aqueles que possuem 2 ou 4 linhas VoIP externas.
Para redes de pequeno porte, pode ser interessante, desta forma, oferecer equipamentos de voz com QoS embutido, entretanto, isto sempre vai levar a uma mudança de topologia, onde todo o tráfego da rede terá que passar pelo equipamento. Esta alteração, embora possa parecer simples, poderá não sê-lo sempre.
Enfim, o certo é que teremos de implantar QoS em algum lugar, seja no roteador de borda, seja no dispositivo de Gerenciamento de Banda, um appliance, quando houver, ou mesmo no dispositivo integrado de Voz e QoS – caso de alguns equipamentos do tipo PBX IP. É certo também que não haverá QoS “plug-and-play”, o dispositivo mágico que faz esta priorização automaticamente, justamente porque será necessário realizar algum tipo de alteração na rede, seja na programação do roteador, do PBX IP integrado, seja na topologia. Em redes mais complexas, será necessário, a rigor, realizar o “link assestment” mais completo, a fim de prever todas as implicações do QoS na rede.
É de se acreditar que futuramente disporemos de roteadores mais inteligentes, que ao invés de serem configurados apenas por CLI possam ser auto-sensitivos e aplicar regras de QoS baseadas em regras pré-definidas e na análise automática do perfil de tráfego, implementando, o que é óbvio, priorização de tráfego sobre as aplicações mais sensitivas, como VoIP e com Wizards mais elaborados. Tais questões envolvem a revisão dos conceitos de gerenciamento em rede, que deveriam ser totalmente baseados em interfaces gráficas de alto desempenho, bem como a convergência e síntese destes serviços em um único equipamento ou, pelo menos, em menos equipamentos.
|