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Artigos sobre VoIP

CUIDADOS E PROBLEMAS

A tecnologia VoIP vem alcançando rápida popularização e um dos fatores mais atraentes para a adoção deste tipo de tecnologia é, sem dúvida, a redução de preços substancial que pode ser obtida por meio do uso do VoIP. Por outro lado, existe uma miríade de fornecedores de “tecnologia VoIP”, que pode alcançar a casa das centenas de fornecedores.

Um dos maiores cuidados a serem tomados em um projeto de VoIP é, justamente por isto, a qualificação dos fornecedores, principalmente da Operadora de Telefonia VoIP. Muitas empresas optam pela interligação VoIP  por meio de rede “interna”, quando são usados SIP Servers internos para rotear as chamadas que ficarão confinadas na rede interna do cliente, dispensando o uso de uma Operadora de Telefonia IP. É cada vez mais comum, porém, o emprego de estruturas baseadas em Telefonia IP, onde a Operadora VoIP será a responsável pelo roteamento das chamadas saintes e entrantes. Neste caso, a continuidade, integridade e qualidade do serviço devem ser fatores preponderantes na escolha.

Um dos erros por parte dos clientes é o uso de Operadoras de Telefonia IP sem credenciamento junto à Anatel, que muitas vezes fazem apenas o “brokerage” de minutos junto a Grandes Corretoras que muitas vezes sequer possuem estrutura no Brasil. Existe um mercado de compra e venda de minutos, ao nível internacional, e que satisfazem em muitos casos as necessidades de clientes individuais e de empresas informais, pelo menos enquanto o serviço estiver disponível. O problema maior ocorre quando se utiliza este tipo de serviço em substituição à telefonia tradicional, expondo muitas vezes o serviço de telefonia a falhas e indisponibilidades que muitas vezes são intoleráveis.

Para piorar a situação, é comum o emprego de golpes nesta área, ao melhor estilo da pirâmide albanesa, quando um País inteiro sucumbiu a uma grande pirâmide. Neste caso, é de se desconfiar de todo e qualquer serviço que cobre uma taxa de adesão ou compra de linha. É mau sinal. O brasileiro é especialmente sensível a propostas que representem um negócio da China. Caso típico é a oferta de serviços de telefonia onde se cobram 6, 5, 4 ou menos centavos por minuto, às vezes até ligação ilimitada por US$ 80,00, desde que, é claro, “compre-se” uma linha por US$ 500.00. Desconfie destas ofertas. Evidentemente, se o serviço é prestado internamente, não poderia ser cobrado em dólares, e tarifas muito baixas não vão remunerar alguma contraparte. Em algum momento o serviço poderá sair do ar. Em todo o caso, o critério mais acertado é verificar se os equipamentos e serviços oferecidos são regulados e normalizados pela Anatel. Se possível verifique a estrutura de serviços da Operadora e pesquise os clientes da mesma.

Outros fatores que podem alterar o resultado e a qualidade do serviço de telefonia IP são:

  • Segurança
  • Integridade e Inviolabilidade
  • Vírus
  • QoS interno externo
  • Qualidade da Operadora
  • Link dedicado x ADSL
  • Perdas na Internet
  • Linhas presas
  • Como Analisar tarifas

Ao contrário do que se costuma pensar, a telefonia de IP pode ser “grampeada”, mas não da mesma forma que a telefonia tradicional. Ela pode ser “grampeada” da mesma forma que os dados da rede do cliente. Desta forma, a única forma de garantir a integridade e inviolabilidade da Telefonia IP é através do uso de VPN’s, com o emprego de túneis e criptografia. Em uma rede interna de telefonia VoIP, portanto, é interessante adotar VPN’s, visto que é uma tecnologia bastante acessível para se obter a inviolabilidade, a privacidade e integridade dos dados (voz, VoIP).

Outro fator a ser considerado é o QoS. Os Gateways de Voz, VoIP, são capazes de fazer a marcação do pacote de VoIP, possibilitando ao roteador priorizar os dados na saída. Quando possível e estiver disponível é recomendável fazê-lo. Em determinadas circunstâncias, especialmente para um número maior de ligações e dependendo do perfil de tráfego, é requisito essencial implementar o QoS. Muitos roteadores e os próprios Gateways são capazes de marcar os pacotes e fazer o QoS, por este motivo não há porque não fazê-lo.

Quando se utiliza um link de internet ADSL para trafegar VoIP, convém analisar algumas limitações. Uma destas limitações é que o Uplink da ligação pode estar limitado a 128Kbps ou 256Kbps, mesmo que para Download se disponha de 1Mbps. Nestes casos, o que vale é o link de Upload. Por outro lado, dificilmente poderá se contar com mais de 50% de disponibilidade real deste link de Upload. Usando o Codec G.729 o consumo de banda é de 30Kbps. Desta forma, para um link com Upload de 256Kbps, dificilmente se poderá se contar com mais de 4 ligações simultâneas concorrentes com o tráfego de dados. Para mais do que 4 ligações simultâneas o uso do VoIP deverá requerer necessariamente um link dedicado de pelo menos 256Kbps, para que o resultado seja condizente com a qualidade esperada e uma disponibilidade plena. Um link deste tamanho poderá disponibilizar até 6/8 ligações VoIP simultâneas (mas cuidado com o CIR). Acima deste número deve-se usar links a partir de 512Kbps, chegando a 1Mbps. No caso de links maiores, o uso deve ser concomitante com a conexão E1 ao PBX.

Outro fator a ser considerado é que a Internet é um meio de baixa confiabilidade, logo alguma flutuação na qualidade de Voz pode ocorrer em função das condições de tráfego na Internet, sobre o qual não existe controle, de parte a parte, pois não é possível QoS fim-a-fim na Internet com os serviços oferecidos atualmente. Estes fatores devem ser levados em consideração no projeto de VoIP.

Por outro lado ainda é muito comum nos links ADSL a oferta real de banda muito abaixo do nominal apresentado. Devemos sempre ter em conta que, com um Codec de G.729, haverá necessidade de 30Kbps por canal, efetivo, incondicionalmente. Desta forma, se o link efetivo em um determinado momento for muito abaixo do necessário, haverá redução de capacidade e qualidade nas ligações. Todos estes fatores devem ser necessariamente medidos, pesados e quantificados.

Por fim, devemos lembrar que uma rede de telefonia VoIP é essencialmente uma rede de dados. A diferença é que o tratamento destes dados deve obedecer a regras que caracterizam os requerimentos da Voz, daí a necessidade do protocolo RTP (Real Time Protocol) e do controle de QoS. Por outro lado, a rede VoIP estará sujeita a fatores que ameaçam uma rede de dados, como ataques de DoS, DDoS, vírus e outros fatores que podem derrubar uma rede de dados. Desta forma, os requisitos de segurança que devem ser adotados em uma rede dados devem ser rigorosamente obedecidos. Estes cuidados devem levar em conta que os firewalls da rede não devem barrar o tráfego de UDP proveniente da rede interna. A política de segurança e as regras devem, portanto, levar em consideração, a partir de agora, os dispositivos de VoIP, sem contudo impedir o seu funcionamento.

 

 
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